sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Crítica | Capitão Philips: Tensão e objetivo

Por Victor Hugo Furtado

Pra quem viu o trailer e não apostou em mais um thriller hollywoodiano, repense, Capitão Philips (2013) superou as expectativas, e não seria pra menos, afinal Tom Hanks sempre é motivo de uma atenção detalhada. 

O cineasta britânico Paul Greengrass, que eu confesso não ser fã, nos obriga a salientar sua inegável capacidade de prender o expectador com sua mania de manter a câmera sempre em movimento para transmitir um maior nervosismo e constante busca pelo realismo das situações, e no final, ele consegue.

Com estrutura semelhante a Voo United 93 (2005), a trama é adaptada de A Captain's Duty, livro escrito pelo Capitão americano Richard Phillips, que em 2009 teve seu cargueiro, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis.

Greengrass, ao lado de seu roteirista Billy Ray, se abstém de diálogos por vezes chatos nesse tipo de filme, e já começa na tensão, pois não demoram 20 minutos para que percebamos a agonia do protagonista, que parece adivinhar o pior.

Os diálogos que se estabelecem, cativam o expectador, pois se concentra nos olhares do ápices do filme e da abordagem dos piratas, um verdadeiro duelo entre Phillips e Muse, o “capitão” da emboscada. 

Ali estão os dois líderes de seu grupo, ambos descobrindo a melhor forma de lidar com a situação em que estão envolvidos e, acima de tudo, tentando entender o “adversário”. Nesse sentido, as poucas informações sobre o passado dos personagens funcionam de modo certeiro, repassando essa dúvida também para a plateia.

Os realizadores brincam de jogar xadrez na dinâmica entre Phillips e Muse – ou, mais precisamente, entre Hanks e Abdi – acaba se tornando um dos pontos altos do filme. Capitão Philips é um bom exemplo de como fazer filmes pseudo-biográficos, aqueles que contam somente um capítulo da vida de um sujeito, e com perfeição, diga-se de passagem.

O longa consegue fugir do ideal americano, apresentando aquele velho clichê: “Calma, o Tio Sam vem aí e o bicho vai pegar”, e sim, apresenta os EUA de maneira um tanto quanto crível, coisa que 80% dos filmes produzidos em hollywood não conseguem.

O tais fuzileiros navais, que são conhecidos na terra dos yankees como a classe mais alta de um poderio físico humano, cansa de cometer erros ao longo do filme, e acabam por obter êxito, com o comandante que atende por, pasmem, “Castellano”, se é? Bom, aí não sei.

De fato, Capitão Philips é uma ótima pedida pra quem gosta de filmes objetivos e sem muitos diálogos, divirtam-se!


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crítica | Thor - O Mundo Sombrio: Ação competente

Por Victor Hugo Furtado

Com boa divisão de núcleos, revisão de proposta e uma cara tragicômica, Thor: O Mundo Sombrio se redime da não tão querida empreitada que levou o personagem lendário da Marvel, criado por Jack Kirby e Stan Lee, para o cinema em 2011.

Com Alan Taylor – diretor do pop Game of Thrones - no comando, a continuação de Thor consegue convencer bem o expectador e agradar uma grande parcela dos fãs das HQ’s, principalmente, em função da boa bifurcação de eixos, - coisa que Homem de Ferro 3 não conseguiu - pois em Thor: O Mundo Sombrio, o grande exagero de alívios cômicos não compromete o enredo, porque se concentra em personagens específicos.



Com tom de família Shakespeariana, é um dos blockbusters com mais cenas de ação interessantes nessa fase dois da Marvel nas telonas, um mundo melhor explorado e que por boa parte de sua duração segue um caminho óbvio, mas vale citar também que de vez em quando o roteiro contraria as expectativas do público, o que chega a ser surpreendente.

É um filme de ação e aventura competente no que se propõe, também no aspecto técnico, que resgata um pouco o ar de filmes de heróis dos anos 80, com luz, fumaça, cores vibrantes e o típico atleticismo eternizado nos filmes de Bruce Lee .

Ah! e claro, pra quem ainda não aprendeu a lição, fique sentado na poltrona até o fim dos créditos. Até o fim mesmo.