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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Kóblic

por Victor Hugo Furtado

Os cidadãos da América Latina podem se identificar uns com os outros de diversas maneiras, mas poucas são tão palpáveis quanto as intensas ditaduras do século XX. No cinema, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006) e Infância Clandestina (2012) são bons exemplos de obras que exploram sujeitos afetados pelo regime, mas que não podem intervir no curso da história. Já produções como No (2012) mostram o lado de quem pode, ainda que pouco, optar diante das situações que lhe são impostas. Koblic (2016) é um desses.

Reeditando a parceria entre Sebastián Borensztein e Ricardo Darín, que já pode ser considerada como cult em Um Conto Chinês (2011), o longa acompanha o piloto da Força Aérea Argentina Tomás Koblic (Darín), que foi recrutado para conduzir uma das missões que ficaram conhecidas como voos da morte, nas quais oficiais lançavam prisioneiros políticos ao mar. Ao decidir não abrir o compartimento de carga do avião para que seus superiores pudessem concretizar o plano, também se tornou um perseguido pelo regime.

Foragido, muda-se da capital para o pampa argentino, mais precisamente na colônia Helena, na busca por um local onde não possam encontra-lo para fazê-lo pagar por seu crime. Mergulhado em pensamentos, ele conflita-se sobre suas escolhas e tenta levar uma vida relativamente normal como piloto de aeroplanos pulverizadores de plantações, trabalho oferecido por um antigo amigo, algo um tanto quanto despretensioso para um cinquentão que outrora fora um oficial da armada nacional. Naturalmente sua presença forte, e seu relativo charme, chamam a atenção do pequeno povoado, desde a moça que sonha em descobrir o mundo, Nancy (Inma Cuesta), até o delegado corrupto, Velarde (Oscar Martinez), que suspeita de Tomás desde o primeiro contato entre ambos.


Mostrando nítido amadurecimento de Borensztein frente a narrativa de seu cinema, desde Um Conto Chinês (2011), este não perde tempo e logo introduz todos os personagens nos primeiros minutos, tornando a tensão e as desconfianças cada vez maiores. Após os primeiros eventos que denunciam Koblic como um forasteiro, como o jeito de se vestir, a fala e a recusa por deixar uma conta em haver mesmo que num vilarejo, ele passa a conviver dia após dia com os olhares dos moradores. Principalmente de Velarde, que se torna um carrapato em busca de pistas que condenem aquele que o tornou um coadjuvante em seu pequeno reinado.
Mesmo que, por vezes, pareça arrastado, o filme exige grande atenção do espectador para que este não se perca em meio a momentos de total silêncio e outros de intensos embates verbais ou físicos. Como se os problemas pessoais de Tomás já não fossem excessivos, a ação o procura, obrigando-o a assumir decisões com grandes consequências num período muito curto. As atitudes que o foragido herói toma em cada situação também o diferem daqueles que o perseguem.

No entanto, há uma atuação pela qual vale a pena ver este filme, e esta é a impressionante caracterização de Martinez. O homem com o sorriso amarelo está quase irreconhecível em função das camadas de maquiagem, peruca e até mesmo dentes falsos. Este conjunto é completado por seus gestos e um sotaque interiorano muito natural. Há também revelações, como o caso de Marcos Cartoy Diaz, o assistente no aeródromo que cresce com o passar do tempo para se tornar alguém importante. Em termos técnicos, o cineasta consegue criar momentos de grande tensão em uma narrativa muito linear. Isso se percebe na opção de deixar de lado fotos aéreas ou explosões, dando assim um toque de classicismo, variando entre o desespero e a angústia profunda de maneira muito cativante.



Ao final, a mensagem consegue ser passada com até evidente nitidez. Koblic se assemelha muito ao Capitão Nascimento de Tropa de Elite (2007), tendo de conviver com a ideia de que as conquistas que o acompanharam a vida toda foram reduzidas a quase nada quando percebe que a vontade de seus superiores o torna mais uma peça da grande engrenagem. Borensztein opta por deixar as mesmas pontas soltas que gerou no longa de 2011, frustrando o espectador que anseia uma resolução mais clara. Mesmo assim, o modo tenso e ao mesmo tempo revigorante em que a trama se desenrola não pode ser subestimado, e Koblic é uma produção muito peculiar e proveitosa dentro de suas limitações. Ricardo Darín prova mais uma vez que sua figura dialoga com o público, mesmo que não diga nenhuma palavra, enquanto que a revelação é mesmo Oscar Martinez, um dos atores mais versáteis de sua geração.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Crítica: O Regresso

por Victor Hugo Furtado

Como se fosse uma novidade, agora todos falam de Alejandro G. Iñárritu, que já chama atenção desde o excelente e arrebatador, "Amores Perros" (2000), considerado o Pulp Fiction do cinema latino. Não, não é modinha, Iñárritu é um dos melhores diretores dos últimos anos e nada impede que ganhe pela segunda vez consecutiva o Oscar de melhor direção. O que seria muito legal, porque até 2014 nenhum latino havia ganho o prêmio da Academia. Em 2016, podemos ver o terceiro consecutivo.

A trama épica, baseada em uma história real, se desenrola em 1822. Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

Muito antes das histórias retratadas por Clint EastWood no oeste americano, os americanos já rezavam lendas das imigrações e descobertas de seu solo cheio de mistérios e histórias alucinantes. Essa é uma delas. Em uma época em que os índios eram a maioria esmagadora da população norte-americana, o homem branco vindo de pelo menos três ou quatro partes diferentes do velho continente, buscava desbravar, conquistar, "educar os selvagens" e, é claro, lucrar. Não teriam se arriscado tanto para se deslocar de tão longe se não fosse por algum motivo desses.

Enquanto existir cinema, os americanos continuarão a valorizar de forma plena sua história cheia de sangue. Todos os países tem uma, mas a deles é retratada em audiovisual. O que vem acontecendo, são essas histórias com o dedo de diretores como Iñárritu, que valoriza os indígenas como devem ser valorizados e principalmente compreendidos, afinal, a terra era deles.

Iñárritu constrói uma sólida narrativa adaptada do livro de Michael Punke, que claro, será contestada como de costume, mas que na construção cinematográfica não se pode levantar muitos dedos para contrariar as posições dele tomadas. Escolheu os atores certos, levou o tempo necessário, fez o espectador imergir e sim, é merecedor de prêmio e que seus atores também sejam. Até porque, se DiCaprio não vencer dessa vez, pode começar a desconfiar que alguém esteja o boicotando.

Pois bem, depois de "Lincoln", "Argo" e "12 Anos de Escravidão", esse filme é a nova sensação do começo de ano e da temporada de premiações. Pode ganhar? pode. Pode cair no esquecimento como "Argo"? também pode. Você pode assistir? Deve.




quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Star Wars: O Despertar da Força - SEM spoilers

por Victor Hugo Furtado

Participação no programa Revista Feevale (17.12), do Núcleo de Rádio da Universidade Feevale para comentar sobre Star Wars - O Despertar da Força. 

Sinopse: Muito tempo após os fatos de "O Retorno de Jedi", encontra-se a Primeira Ordem, uma organização sombria iniciada após a queda de Darth Vader e do Império. O grupo está em busca do poderoso Jedi Luke Skywalker, mas terão que enfrentar outro grupo em busca de Luke: a Resistência, liderada por Leia.

Direção: JJ Abrams
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill Mark Hamill e Lupita Nyong'o.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Crítica | Que horas ela volta?

por Victor Hugo Furtado

"Que Horas Ela Volta?" é inteligente ao propor a discussão que envolve o público com o cotidiano de sua protagonista, que surge fazendo todo tipo de serviço doméstico. Ao fim do dia, exausta, Val se deita em uma cama estreita ao lado do criado-mudo que traz a foto de sua filha e, no fim de semana, pega o ônibus para encontrar amigas na periferia enquanto espera a hora de retomar a labuta.

Trata-se, de uma daquelas relações profissionais que eram muito comuns no Brasil até há cerca de 15 anos: as famílias de classe média para cima tinham, como parte de seu núcleo, uma empregada que “dormia no trabalho” e que era “quase da família” – mas uma “quase parente” que dormia no quarto minúsculo dos fundos, almoçava depois dos patrões e que podia ser chamada a qualquer hora para limpar algo derramado ou para levar um copo de leite na cama para o patrão. Uma realidade na qual moças de 14, 15 anos eram trazidas do interior do país a fim de morar/trabalhar em regime de quase escravidão – mas uma escravidão “humanizada”, de liberais.

A Val é neste sentido, mais do que uma personagem, mas um símbolo de uma época, de uma dinâmica que durou séculos (e que não se extinguiu completamente, é importante apontar). É mais velha e mais experiente, mas respeitosamente chama a jovem patroa de “dona” e “senhora”. É “quase da família”, mas seus patrões não sabem sequer o nome de sua filha e mal parecem escutá-la quando tenta discutir algo pessoal.

“A pessoa já nasce sabendo sua posição”, explica Val à filha em certo ponto. “Quando eles oferecem alguma coisa deles, é por educação; eles sabem que vamos dizer ‘não’”, ela ensina sem qualquer traço de ressentimento. 

Enfim, o reconhecimento de que só não haverá luta de classes quando finalmente percebermos que dividir a humanidade por status econômico é algo que já deveria pertencer somente à História.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Crítica | Birdman

por Victor Hugo Furtado

Do inteligente diretor mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu, aquele mesmo que assustava lá no início da década passada com seu Pulp Fiction Mexicano, “Amores Perros”, e que se seguiu com seu clima frio e derrotista em “Babel” e “Biutiful”, mais uma vez nos faz refletir sobre como podemos plantar hoje, para colher no futuro.

A trama se desenrola através do olhar de Riggan Thomson (Michael Keaton) que no passado fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone da cultura pop. Porém, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway.

Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.

Mesmo com seu clima de fim triste, Birdman é um trabalho diferente, não menos ousado de Iñárritu, mas diferente. Sempre ganhando em roteiro, considerado e já comprovado como seu forte, concentra em uma câmera de plano sequência que se torna viciante do início ao fim, dando a sensação de profundidade e mergulho literário e geográfico do espectador pelas vielas da parte de trás dos palcos da Broadway.

Apesar de todo o clima tenso em todos os momentos, o filme sugere esperança para um homem que busca se reinventar e que sempre há tempo para novas aventuras, heróicas ou humanas. Além de toda a profunda reflexão de passado, presente e futuro de “Birdman”, Iñárritu tempera essa ótima história com a canibal relação da crítica e os envolvidos na produção teatral da Broadway, que como retratada no longa, é de longe, mais devoradora que a do cinema.

Birdman é gostoso de se ver, e inteligente de se pensar. Vale muito a pena pra quem quer conferir algo mais intenso e, sem dúvida, digno de suas indicações em 2015. Os outros trabalhos do que por vezes é esquecido pelo público, Alejandro Gonzalez Iñárritu, também valem sua atenção.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Crítica | Interestelar

por Victor Hugo Furtado

Antes de tudo, por favor, não se deixe levar por pensamentos impuros, não espere um novo e muito menos algo melhor do que 2001 – Uma odisseia no espaço. Uma boa ideia, ainda que bem trabalhada, não revoluciona sem humildade e autocrítica.

A nova empreitada de Christopher Nolan, na qual ele vem trabalhando há sete anos, traz a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie.

Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.

Interestelar é um dos filmes mais esperados de 2014 e também de um dos mais cultuados e respeitados diretores do século XXI. O filme que por diversas vezes foi comparado com a obra de Stanley Kubrick terminou por desapontar muita gente.

Na questão visual, o próprio Kip Thorne, famoso e mais competente físico teórico do mundo, especialista em buracos negros e conceitos de gravidade, disse estar diante de algo tão grandioso que ele mesmo pode usar as imagens em suas palestras e teorias.

O problema começa quando o diretor tenta trabalhar com questões sentimentais de mais, apesar de os atores protagonizarem cenas muito tocantes e dignas de indicações, no fim das contas, Nolan é um diretor muito racional pra trabalhar com temas relacionados ao amor.

Mais uma vez, se perde em explicações massivas, apesar do conseguir significativa melhora nos segundo ato, o primeiro peca demais em teorias desnecessárias, típico de Nolan. Explicações que todos já estão acostumados a ver no cinema, e é isso que dá um tom, até certo ponto egocêntrico ao diretor, que parece pensar que sua explicação será melhor que a dos outros que já a fizeram.

Em resumo, Interestelar é muito bom quando visto pelo seu trabalho visual, desafiador e corajoso, mas está longe de ser algo revolucionário.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Crítica | O Juiz

por Victor Hugo Furtado

“O Juiz”, mistura três consagrados enredos de hollywood, o filme de tribunal (popular principalmente no anos 80), o filme de reencontro das raízes na pequena cidadezinha do interior (por sinal muito bem enquadrada) e por último, mas não menos importante, o filme de reconciliação entre pai e filho.

O longa acompanha a vida de Hank Palmer, um advogado importante de uma grande metrópole dos Estados Unidos que se vê obrigado a voltar a sua pacata cidade natal quando a notícia do falecimento de sua mãe chega até ele no meio de um julgamento.

Distante da família há muitos anos e com sérias desavenças com o pai (Robert Duvall), um juiz local respeitado e importante que está sendo acusado de assassinato, Hank irá passar por provações que colocarão todo o seu talento como homem da lei à prova, bem como sua capacidade de encarar os fantasmas do passado e de se reconectar com um lado importante da sua vida que, com o tempo, foi sendo deixado de lado.


Robert Downey Jr. não foge muito de sua figura com poder de eloquência do qual já está acostumado a fazer em “Homem de Ferro”, e também usa da bola de cristal durante o filme, na pele de um advogado que conhece a população por sua linguagem corporal, como em “Sherlock Holmes”. Mesmo seu personagem, Hank Palmer, ser um personagem já “manjado” em hollywood, ele desempenha com destreza, e por vezes cativa com eficiência, tanto nas cenas de comédia romântica, quanto na bonita relação com seus irmãos.

O velho de guerra – indicado em seis ocasiões e numa delas, dono da estatueta - Robert Duvall dá o tom dramático e autoritário, também já acostumado a transcender tal figura desde os tempos de “Grande Santini”. Além de passar a experiência na empreitada, “se joga” em alguns clichês e também se arrisca cenas fortes. É bem possível que seja indicado pela sétima vez ao Oscar, seria a quarta como coadjuvante.

A surpresa fica por conta de o diretor ser David Dobkin, o mesmo que dirigiu as comédias “Bater ou Correr em Londres”, “Penetras Bons de Bico” e o pífio longa de aventura: “Jack: O Caçador de Gigantes”. Escrito com auxilio de Nick Schenk e Bill Dubuque, o roteiro de “O Juiz” não é muito sofisticado, mas certamente valerá uma indicação.

Pra quem gosta de filmes de reconciliação dramática e aventura moderna, e que também está de olho no Oscar 2015, sairá satisfeito da sessão de “O Juiz”.

sábado, 16 de agosto de 2014

Crítica | As Tartarugas Ninja

por Victor Hugo Furtado

Saí de casa todo contente porque depois de anos ia rever as minhas amigas de infância, que entre outras influências, me fizeram criar tartaruguinhas de estimação em meados de 1999-2000 (elas fugiram) e também de quase dar nome ao meu irmão mais novo Arthur, que quase se chamou Donatello.


Por fim, depois de anos eu as reencontro, grandes, fortes, inteligentes, engraçadas e bem desenvolvidas com ajuda da tecnologia. Problema nenhum até o momento, no que se refere exclusivamente a elas, porque o problema chegou quando tive que, de mãos atadas, aturar as minhas queridas amigas numa direção pífia de um cabeção chamado: Jonathan Liebesman. E pior, com a “benção” do tio Michael Bay.

A trama se foca mais na repórter – a mais fake da história do jornalismo, diga-se de passagem – April O’Neal, do que nas próprias tartarugas, além de é claro, modificar a história, dando a ela a falsa importância de tê-las “criado”.

A grande verdade é que o filme das tartarugas parece ter sido feito com pressa, sendo que tiveram 20 anos para tal, mas nós fãs, daremos um desconto de 10 anos, pois ainda não havia nascido a tecnologia ‘motion capture’.

“Tartarugas Ninja” mostra um grande descompasso e desnível de qualidade. Tartarugas é muito mais que explosões forjadas. Quem for ao cinema, com certeza não vai deixar de rir e até certo ponto se divertir, no fim das contas é um dinheiro bem gasto, mas poderia ser melhor.

Devido à bilheteria “gorda”, já está sendo encomendada a parte dois da empreitada, e nós, desejamos muita sorte e sabedoria na continuação, pois a primeira, frustrou as expectativas.

 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Crítica | Guardiões da Galáxia

por Victor Hugo Furtado

Embalado por uma trilha sonora escolhida com perfeição, Guardiões da Galáxia abre definitivamente os horizontes dos estúdios, que se ainda tinham algum receio de tal adaptação, ou algo do gênero, o medo se esvaiu diante da grandeza de cinco indivíduos à margem daquilo que podemos chamar de: heróis.

Em uma Terra alternativa do século XXXI, o aventureiro Peter Quill rouba uma esfera pertencente ao poderoso vilão Ronan, e passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas.

Para escapar ao perigo, ele une forças com quatro personagens fora do sistema: Groot, uma árvore humanóide (Vin Diesel), a sombria e perigosa Gamora (Zoe Saldana), o texugo rápido no gatilho Rocket Racoon (Bradley Cooper) e o vingativo Drax, o Destruidor (Dave Bautista).

Mas Quill descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e logo o grupo deverá proteger o objeto para salvar o futuro da galáxia.

Não deixa de ser uma grande surpresa, o acerto da Marvel estúdios com a empreitada Guardiões da Galáxia, que ao fugir do estilo Vingadores de super-heróis, apresentam criaturas curiosas e perdidas num determinado ponto do grande universo, prontos para quebrar a linha do certo e o errado e nos fazer rir por quase duas horas.

Encabeçado pelo personagem Peter Quill, interpretado de maneira brilhante por Chris Pratt, essas duas horas são categoricamente conduzidas com humor leve, não enjoativo, que pode ser levado por até mais tempo que isso. Personagens fortes e que não se levam a sério, acabam por se tornar o coração dessa adaptação quase 100% fiel à dos quadrinhos.

Esses personagens, escolhidos a dedo, dão um tom de harmonia ao filme, mesmo debaixo de pressão e porrada na maior parte do tempo. Rocket Raccoon, faz valer cada centavo gasto com a voz do galã Bradley Cooper, que fala demais, pena até que não fala mais ainda, pois quando não está fazendo piadas engraçadas - e que não aparentam ser forçadas no roteiro como em Homem de Ferro 3 ou Thor – O Mundo Sombrio – está dando um jeito de burlar a morte com sua super capacidade técnica de combate bélico e também sua super inteligência para com as tecnologias.

Zoe Saldana brilha como Gamora, alienígena de grande capacidade física, que apesar de ser mulher, é a que por fim mais “engrossa” com os inimigos. Dave Bautista é Drax, um troglodita que por não entender metáforas, se torna engraçado, mas seu dom é mesmo destruir tudo que vê pela frente. Groot é uma espécie de arvore humana, bondosa e ingênua, e que na voz interessante eu diria, de Vin Diesel, só sabe dizer uma frase: “I am Groot”, mas essa frase, dita com diversas entonações, ele termina por se expressar até melhor que seus "faladores" companheiros Quill e Rocky, interessante, não?

Vilões bem construídos e revelados cada um no seu momento tornam o filme um dos melhores da Marvel, que pelo apresentado este ano, está cada vez melhor. Guardiões da Galáxia merece um grande parabéns e cada centavo do seu dinheiro no cinema. Ah! a sessão cabine de imprensa não mostrou a cena pós créditos, tanto segredo merece uma grande surpresa.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Crítica | Causa e Efeito: Buscando seu espaço no cinema nacional

por Dáphine Ponte

A lei da causa e efeito é um princípio codificado pelo educador francês Allan Kardec, criador da doutrina espírita. É como se fosse a lei da ação e reação criada por Isaac Newton, em que uma ação gera uma reação igual e de mesma intensidade. Ou seja, tudo que nós causamos gera um efeito, uma consequência da mesma proporção seja nesta vida ou na próxima.

Baseado neste princípio, foi lançado o filme Causa e Efeito, dirigido e roteirizado por André Marouço. O diretor investe em mais uma trama de cunho espírita assim como fez em O filme dos espíritos de 2011, seu filme de estreia.

Causa e Efeito conta a história do ex-policial Paulo (Matheus Prestes) que, ao perder a mulher e o filho atropelados por um motorista alcoolizado. Revoltado pelo homem não ter sido preso, ele se torna um matador de aluguel a mando do deputado Gustavo, interpretado por Henri Pagnocelli (A dona da história, 2004), um homem de caráter duvidoso que contrata Paulo para matar seus inimigos.

Ao receber a ordem para matar Madalena (Naruna Costa, Falsa Loura), uma ex-garota de programa e ex-caso do deputado, Paulo encontra um trio de religiosos (um padre, um pastor e um espírita), causando grandes mudanças na vida do protagonista.

A trama traz elementos de romance e comédia em algumas cenas e inova ao ter momentos de ação, fazendo com que se torne mais leve e agradável ao telespectador. No entanto, peca por ter muitos cortes entre as cenas e estas são rápidas, não dando tempo pro telespectador entender o que aconteceu para os personagens estarem em determinado lugar ou o tempo de uma cena.

Outro ponto que deve ser destacado é o personagem Paulo. É esperado que se mostre a angústia do homem que perdeu a família e está revoltado, querendo justiça. Mas o que se percebe é um homem que não expõe ou não consegue expor muito seus sentimentos, mostrando-se frio na maioria das situações, quase sempre com a mesma expressão.

Mesmo com estes elementos, nota-se que os filmes de gênero espírita estão buscando seu espaço no cinema brasileiros, fazendo com que os telespectadores entendam melhor a doutrina revelada por Allan Kardec com filmes que abordem a espiritualidade.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Crítica | X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido

por Victor Hugo Furtado

É difícil acreditar que um filme que conta com atores do porte de Patrick Stewart, Ian Mckellen, Michael Fassbender e James McVoy possa ser considerado um fracasso. Ok, está longe de ser um fracasso, porém não é mais do que... bom.

A mais nova empreitada da franquia X-Men, desta vez cria um novo universo que em primeira instância, desperta uma grande curiosidade de como conciliar duas metades. Ele ocorre em duas épocas diferentes, o que significa duas equipes diferentes de mutantes lutando para salvar a humanidade em seus próprios caminhos, em dois elencos diferentes.

Em um futuro esquecido - como o nome do filme já diz - para evitar o extermínio dos mutantes, que são caçados pelos Sentinelas, robôs emblemáticos nos quadrinhos, desenvolvidos por Bolívar Trask (Peter Dinklage), Wolverine embarca em uma viagem no tempo com a missão de procurar Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) com o intuito de, juntos, mudar o rumo da história.

No futuro, para escapar da morte, os poucos mutantes sobreviventes precisam concentrar suas forças para proteger Wolverine, que tem seu corpo em repouso, para uma espécie de regressão misturada com viagem presencial no tempo, mais especificamente em 1973, quando ainda não tinha passado pela traumática experiência da Arma-X. “Quer dizer que ele ainda não tinha as ‘garras’?!”, não, não tinha, e isso dificultará muito as coisas.

Elencos notórios como já citados, acabam por se sustentar no herói canadense, que por fim, acaba sempre sendo o personagem mais interessante. Interessante não somente por se tratar de um herói com uma história mais triste do que a maioria, mas também por ser interpretado por um ator que realmente entende o peso e as características do mutante banhado em adamantium. Nota 10 pra Hugh Jackman como sempre.

Calma, esse não é um filme sobre o Wolverine, mas ele acaba por se tornar o personagem mais importante da história como sempre, por ter mais capacidades físicas e psicológicas do que os demais mutantes da trama.

Legal, Wolverine quebrando tudo, se sacrificando pelos outros como de costume, história interessante, mas o erro começa onde mesmo? No momento em que se percebe que Dias de Um Futuro Esquecido parece ter nascido da ideia de corrigir antigos erros de roteiro.

Bryan Singer não ignora por completo X3 (2006), porque mostra uns dois segundos do filme em meio à trama que revela o passado de Wolverine, pois de resto, só faltou escrever no fim dos créditos algo do tipo: “Caso alguém não tenha entendido meu roteiro, os filmes que eu não dirigi... não valem”. Ao final do filme, muita coisa da trilogia que compreende 1999 – 2006 se perde, e parece não ter existido. Uma falha quase que patética.

X-Men - Dias de Um Futuro é um filme que vale a pena ser visto, não é melhor do que X-Men - Primeira Classe, mas deixa o espectador com muita vontade de ver o próximo filme que estreia em 2016. Ah! Não saia do cinema antes do fim dos créditos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Varilux 2014 - Crítica | Eu, Mamãe e os Meninos: De cara limpa, o autor conta sua própria história

por Victor Hugo Furtado

Além de ser um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês 2014, Eu, Mamãe e os Meninos é um dos longas do festival que mais carrega simbolismos e metáforas.

O longa de Guillaume Gallienne, que conta com cinco prêmios César (Oscar do cinema francês) e 2,3 milhões de espectadores, é uma tragi-comédia, que de maneira pouco convencional, fala da questão da orientação sexual diante dos laços familiares.

Eu, Mamãe e os Meninos, que tem como origem um monólogo autobiográfico teatral de Gallienne, é retomado agora com maior ambição na narrativa em seu primeiro projeto como diretor de cinema.

Ora triste, ora engraçadíssimo, de cara limpa, o autor conta sua própria história, marcada pelo conflito de identidade sexual que viveu na infância e na juventude.

De maneira ímpar, interpretando a si e sua mãe, Guillaume, de 42 anos, mostra seu brilhantismo como polivalente dramaturgo Frances, na trama que apesar de familiar, apresenta um “estudo” interessante e por vezes complexo da percepção de aceitar sua natureza sexual sem “ofender” o conservadorismo. Guillaume não sabe se é uma menina que gosta de meninos ou se é um menino que gosta de outros meninos.

O termo complexo serve perfeitamente na confusa explicação, quando o filme vai se encaixando e junto com ele, a cabeça do protagonista.

Descobrir qual é a sua identidade sexual, é alma da história, afinal, destaca o filme, faz parte do amadurecimento e das escolhas libertárias do ser humano inserido num contexto familiar, que como se mostra bem, pode ser bem complicado.

Eu, Mamãe e os Meninos, é um filme muito interessante, engraçado e comovente, que é muito recomendado para meninos ou meninas, que ainda não sabem o que querem.




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Crítica | Capitão América – O Soldado Invernal: Um oficial de respeito

por Victor Hugo Furtado

Não apenas carregado de ação, mas sim com grande intensidade ideológica e existencial, Capitão América: O Soldado Invernal é um dos, se não o melhor filme da MARVEL nos cinemas até o momento.

A fase 2 da Marvel nos cinemas, como assim chamada, tem aberto um leque de possibilidades para os diretores responsáveis. Anthony Russo e Joe Russo, assim como Alan Taylor em Thor: O Mundo Sombrio têm a oportunidade de expandir o universo particular dos heróis.

Assim, a MARVEL não fica refém de filmes como Os Vingadores, onde o espetáculo se concentra num time, a tática então é: aumentar o prestígio individual de cada personagem, para que então todos tenham seu grand finale reunidos contra a tal ameaça existente. 



Apenas em O Soldado Invernal, Nick Fury, o próprio antagonista: Bucky Barnes e o novo herói, Falcon, se mostram capazes de sustentar um eixo de equilíbrio durante as tramas que se seguem.

O longa, recheado do que mais se pode esperar de um filme de herói – gênero que por vezes falha – dá exemplo de cenas de combate, uma, seguida de outra melhor.

Até o momento, em quesito Luta/Combate será difícil algum filme de super herói desbancar esse. Aplausos para Chris Evans, que lutou – claro, com ajuda de seu fiel dublê – como uma incrível mistura técnica de artes marciais mescladas sem perder a intensidade no olhar e a capacidade interpretativa do Oficial Rogers.

A ideia de inserir o magnífico Robert Redford e dar ao Capitão América um quê de Three Days of The Condor foi nítida, e que por sinal, deu muito certo em meio à trama que disfarçava com classe a complexidade da invasão Hydra.

Capitão América: O Soldado Invernal é divertido e o melhor lançamento de um herói “solo” do Marvel Studios desde o primeiro Homem de Ferro.
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Crítica | RoboCop: Politicamente educativo

por Victor Hugo Furtado

Diferente do RoboCop (1987) de Paul Verhoeven, ao que tudo indica, o policial robô de José Padilha não fará história, pelo menos para Hollywood. Aguardado pelo público e pela crítica, não apenas por se tratar da estreia de um diretor brasileiro nos comandos de um blockbuster milionário, mas também por resgatar um personagem emblemático dos anos 1980.

A grande questão levantada desde o momento em que o diretor brasileiro foi anunciado como diretor do remake, era se ele conseguiria imprimir o seu jeito tão particular em um filme que, pela lei hollywoodiana, deve "se pagar" e ainda gerar um lucro significativo, pois sem dos quais, ainda segundo essa, torna-se um fracasso.

robocopA resposta dessas questões foi respondida em alto e bom som, com frases de efeito, roteiro inteligente e sátiras bem armadas. Quem viu Tropa de Elite 1 e 2, não precisou nem dos créditos finais de RoboCop para constatar a presença singular do diretor brasileiro na trama policial-futurista.

O mesmo diretor que pôs em cheque a polícia, o governo e a omissão popular em seus filmes muito particulares feitos em terra macunaíma, põe numa nova mesa - de 130 milhões de reais - uma nova discussão: o uso da tecnologia no combate ao crime organizado.

Assim como nos "Tropas", Padilha insere diversos pontos de discussão em meio a trama central, como o marketing populista, a imprensa manipuladora, e a polícia como foco de esperança em dias melhores dados seus métodos mais ímpares, mas ao mesmo tempo não escolhe seu ponto de vista, deixando a critério do espectador.

O filme de Padilha é mais politico, diferente do de Verhoeven, que era mais filosófico e arrasa-quarteirão. Ele pode realmente ser levado a sério e como elemento vivo de discussão, afinal em quanto tempo estaremos abordando esses temas?

Em sua estreia, José Padilha teve desempenho invejável, e assim como seus outros filmes, é muito recomendado. Ao contrário do que se pensa, não é bem o tipo de filme recomendado para crianças, pois seus assuntos e as formas de mostrar o correto, são muito implícitas e ao mesmo tempo interpretativas. Segundo o próprio Padilha, RoboCop não é Homem de Ferro, e sim Frankenstein.






sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Crítica | O Hobbit - A Desolação de Smaug: Mais ação e continuidade

por Victor Hugo Furtado

Depois da lentidão do primeiro capítulo da trilogia, A Desolação de Smaug, imprime muito mais ação e continuidade do que seu antecessor, sendo melhor e mais divertido.

Assim como na trilogia de O Senhor dos Anéis, Peter Jackson desenvolve e separa bem cada um dos núcleos propostos e é isso que o torna tão venerado pelos fiéis e por vezes ‘chatos’ fãs da mitologia de J.R.R. Tolkien.

O hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), junto com o mago Gandalf (Ian McKellen), o anão Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) e seus doze companheiros, deixam Carocha após os eventos do filme anterior.

Eles continuam a leste até a borda da Floresta das Trevas, onde eles encontram a transmorfo Beorn (Mikael Persbrandt). Gandalf sai antes que os outros entrem na Floresta, onde eles são atacados por aranhas gigantes e, com exceção de Bilbo, são capturados por elfos. Bilbo ajuda os anões a escaparem das masmorras dos elfos da Floresta e eles seguem o rio da floresta a Cidade do Lago, onde se encontram com o mestre da cidade, e Bard, um arqueiro e descendente do senhor original da Cidade de Dale. 



Junto com Peter Jackson, assinam o roteiro de maneira perfeita – não seria pra menos – Philippa Boyens e Guillermo del Toro, o roteiro explora bem o universo de Tolkien e evita situações de humor sem importância (certo, Homem de Ferro 3?).

Tudo na trama, por mais que bem trabalhada, torna-se figura menor diante do primeiro instante em que surge dragão Smaug, o Magnífico, que enche os olhos e move-se com peso e ameaça na voz de Benedict Cumberbatch, em um cenário totalmente curioso em meio ao ouro perdido.

Nesse meio tempo, Gandalf lidera o Conselho Branco para conduzir a necromancia de Dol Guldur. Gandalf entra em Dol Guldur, onde ele descobre a verdadeira identidade do Necromante (Benedict Cumberbatch). Os elfos da Floresta das Trevas, liderados pelo Rei Thranduil (Lee Pace) e seu filho, Legolas (Orlando Bloom), tem de lutar contra as invasões de orcs de Dol Guldur.

E é justamente quando depois da aparição de Smaug, que o filme parece correr mais rápido, pois cada cena faz o expectador reagir de maneira diferente. Acaba correndo tão rápido que logo, logo... Peter Jackson conseguiu criar o final mais instigante possível, deixando um “até mais” e deu! Acabou, era isso! Até dezembro de 2014, quando encontraremos O Hobbit – Lá e De Volta Outra Vez para conferir o resultado da empreitada, que tem tudo para se sair muito bem.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Figurino | Carrie: Nada surpreende

por Poly Gouvêa

Certo, admito que eu achei o filme muito bom. Admito também que eu não sou uma crítica, mas enfim, alcançou minhas expectativas, agora, o figurino deixou a desejar. Sim, Carrie é a menina estranha, o total oposto do que seria popular, todos sabemos, mas não precisava vestir a garota como uma fazendeira de filme dos anos 1960. 
O figurino de “Carrie, a Estranha” pode ser observado de duas maneiras. Primeiramente, retrata o período no qual desenrola-se a história, principalmente o ambiente escolar e seus diversos grupos. Em uma segunda análise, o vestuário serve para separar visualmente a protagonista do restante dos colegas de escola e aproximá-la do conservadorismo religioso imposto pela mãe.


Enfim, esse conservadorismo poderia ter sido abordado de outra forma. Nem o vestido do baile (o mais importante do filme todo), teve o glamour de matança descontrolada que deveria ter. Surpreendente foi a transformação da Julianne Moore, envelheceram a mulher uns 20 anos!! O que casou super bem com as roupas escuras 2 tamanhos maiores que o dela, e com o  cabelo vassoura.

No geral, foi tudo simples demais. Não muito diferente dos outros trabalhos de Luis Sequeira (Mama, O Enigma de Outro Mundo), ou seja, filmes de terror, que também deixam a desejar. 

Ah, e não posso esquecer de comentar isso (porque no cinema eu falei umas 30 vezes). O que acontece com o cabelo da Carrie?! Ele vai de "saindo do furacão" pra "saindo do salão" em 5 segundos. Queria que a vida real fosse assim também.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica | Carrie: Sem propósito

por Victor Hugo Furtado

A queridinha do momento, Chloë Grace Moretz, faz Carrie White, uma garota de uma cidade pequena que sofre bullying dos colegas de sala e é atormentada por uma mãe fanática religiosa interpretada de uma maneira bem peculiar por Julianne Moore.

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Figurino | Carrie: Nada surpreende, por Poly Gouvêa 

Fruto de uma gravidez indesejada pela mãe, considerada por esta um ato de pecado, Carrie tem seus desejos reprimidos e vive enclausurada em casa num “closet” embaixo da escada. Lá, é obrigada a rezar pelos pecados que ainda não cometeu.

Estabelecidos os sentimentos, a personagem começa a descobrir seu dom de telecinése, quando começa a mover e controlar objetos com a força da mente. Com essa descoberta, não resta muito tempo até que sua vingança contra todos ao seu redor ecloda.

O filme consegue ser, diante dessa excelente premissa, um exemplo de mau aproveitamento de um argumento. O roteiro não consegue construir suas duas principais personagens de maneira fiel, sempre as levando a diálogos que colocam em constrangimento as duas atrizes principais.

Chloë Moretz e Julianne Moore, que são realmente duas grandes atrizes, estão visivelmente desencontradas em seus papéis, forçando atuações que levam o espectador a rir em momentos em que o filme parece querer se mostrar uma paródia.

É já no seu final que ocorre uma quebra de tom na narrativa, quando Carrie White se revolta com todos e começa a descarregar a sua ira. Nesse momento o filme ganha um novo ritmo, nova personalidade e consegue corresponder um pouco com as expectativas, mas não o suficiente para se comparar com os filmes anteriores, e menos ainda, ao clássico de De Palma.

Toda releitura é bem vinda, ainda mais de clássicos como os de Sthephen King, porém a grande verdade é que não se percebe a necessidade desse remake. Talvez a melhor “desculpa” seja a de adaptar um grande clássico para a linguagem contemporânea, com atores novos, com músicas novas e a tecnologia em foco.

Carrie (2013) termina por passar um olhar consideravelmente superficial diante de uma verdadeira obra de arte que nem todos conseguem compreender, menos ainda, adaptá-la.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crítica | Thor - O Mundo Sombrio: Ação competente

Por Victor Hugo Furtado

Com boa divisão de núcleos, revisão de proposta e uma cara tragicômica, Thor: O Mundo Sombrio se redime da não tão querida empreitada que levou o personagem lendário da Marvel, criado por Jack Kirby e Stan Lee, para o cinema em 2011.

Com Alan Taylor – diretor do pop Game of Thrones - no comando, a continuação de Thor consegue convencer bem o expectador e agradar uma grande parcela dos fãs das HQ’s, principalmente, em função da boa bifurcação de eixos, - coisa que Homem de Ferro 3 não conseguiu - pois em Thor: O Mundo Sombrio, o grande exagero de alívios cômicos não compromete o enredo, porque se concentra em personagens específicos.



Com tom de família Shakespeariana, é um dos blockbusters com mais cenas de ação interessantes nessa fase dois da Marvel nas telonas, um mundo melhor explorado e que por boa parte de sua duração segue um caminho óbvio, mas vale citar também que de vez em quando o roteiro contraria as expectativas do público, o que chega a ser surpreendente.

É um filme de ação e aventura competente no que se propõe, também no aspecto técnico, que resgata um pouco o ar de filmes de heróis dos anos 80, com luz, fumaça, cores vibrantes e o típico atleticismo eternizado nos filmes de Bruce Lee .

Ah! e claro, pra quem ainda não aprendeu a lição, fique sentado na poltrona até o fim dos créditos. Até o fim mesmo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Crítica | Diana: Naomi Watts sai isenta

por Victor Hugo Furtado

Em Diana, o também diretor do polêmico A Queda (2004), Oliver Hirschbiegel, se dá gratuitamente à ingrata missão de adaptar para o cinema o mais romântico do que biográfico livro, Diana: Her Last Love, no mais novo longa que remexe parte do contexto histórico e influente da monarquia britânica.

Mesmo com uma performance interessante de Naomi Watts, a proposta não ajuda, Diana narra os acontecimentos que cercaram os dois últimos anos da vida da mulher mais famosa do séc. XX e uma das mulheres mais famosas da história mundial moderna, basicamente desde sua separação até sua morte. 

Acompanhamos Diana já separada do Príncipe Charles, após sua indiscrição no caso extraconjugal com Camilla Parker. Ainda morando numa ala do Palácio de Buckingham, Diana é o retrato da falta de dignidade, até conhecer e se apaixonar perdidamente pelo cirurgião paquistanês Dr. Hasnat Kahn, interpretado por Naveen Andrews, da série Lost. Que estranhamente não parece nem um pouco agradável para cativar o amor de uma então Princesa. 
 

Mesmo pecando em não citar a talvez mais íntima das amigas da princesa, Lucia Flecha de Lima, ainda hoje esposa do diplomata brasileiro, Paulo Tarso Flecha de Lima, a proposta de Diana é desmistificar a figura frágil, e mostrar a mulher por trás da fachada irretocável de Lady Di, que necessita de um ombro amigo, de carinho e atenção, no qual o filme ganha uma estrelinha. 
 
A começar pelo grande afeto da protagonista pelo homem que escolheria para substituir seu casamento fracassado. O “maior abandonado” e cheio de vícios (como cigarros, bebida e fast food), parece viver exclusivamente para si mesmo, e para seu trabalho, não conseguindo suportar a pressão de se relacionar com uma figura pública. 

Esse é o assunto principal de Diana, o romance com o médico, fato que de certa maneira diminui a importância da pseudo-biografia da lendária Princesa. Afinal esperamos um aspecto mais grandioso de sua vida do que pequenos relacionamentos, mesmo que caracterizados como “o maior amor da vida”.

Diana é um filme correto, mas no máximo bom e que não é elevado além de qualquer outro filme. Dados seus problemas de roteiro, Naomi Watts sai isenta de um longa que não agradou a todos. Mesmo não sendo o exemplo de sósia da “princesa do povo”, Watts consegue simular trejeitos, expressões peculiares e se sair bem naquilo que é mais criticado em filmes USA/ENG, o sotaque. 

Pra quem simpatiza com a figura mítica da princesa, responsável por criar um elo eterno da então poderosa monarquia intocável com as mãos literalmente palpáveis da plebe, Diana é um bom filme a ser visto, até por uma questão de conhecimento.

sábado, 12 de outubro de 2013

Crítica | Gravidade: A imensidão silenciosa do universo

por Victor Hugo Furtado

Exibido nos festivais de Veneza (Itália) e Toronto (Canadá) neste ano, não é difícil entender o porquê do sucesso de crítica e bilheteria de Gravidade, que aliado a tecnologia IMAX, proporciona uma experiência semelhante à de Star Trek – Into Darkness (2013), tirando o expectador da poltrona sempre que possível.

Fazendo trabalhos de praxe, os astronautas Dra. Ryan (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney) são avisados de que a colisão de um míssil e um telescópio russo gerou uma onda de destroços na atmosfera, os astronautas se apressam para retornar à nave, sem tempo, não obtêm êxito.

É desse momento em diante, que o maior vilão do filme se apresenta aos personagens, a imensidão silenciosa do universo, que se coloca como antagonista daí por diante. Lançada à deriva, Sandra Bullock encarna o desespero de sua personagem com perfeição, girando pelo infinito sem controle do corpo e sem ter ao que agarrar-se.

Com ela, quem gira também somos nós, que auxiliados pelo efeito 3D-IMAX, sentimos a distância da Terra, vista do espaço. Por mais que a situação seja desastrosa, recheado de planos sequência e seguidos sustos, a câmera se torna amiga do silêncio espacial para vagarosamente adentrar o capacete da astronauta e mostrar sua visão. 

Escrito por pelo talentoso diretor mexicano, Alfonso Cuarón, junto ao seu filho Jonás, tem roteiro justo, fazendo uso de uma história que talvez engane os leigos por se tratar de uma trama “espacial”, se caracterizando como mais simples impossível  ilustrando um comparativo da relação ser humano com o que ele mais teme, a solidão e a falta de respostas.

Com ótimas cenas, e um papel digno de uma grande atriz, o filme prende o expectador, não cardíaco, por mais de uma hora e meia, com apenas uma personagem e sua mente fantasiosa e reprimida por traumas, sem cansá-lo. Gravidade é mais um dos ótimos filmes que tem o espaço como zona de conforto nesse ano de 2013, e também mais um filme, que arranca os nervos apaixonados pelo cinema.