Pra quem viu o trailer e não apostou em mais um thriller hollywoodiano, repense, Capitão Philips (2013) superou as expectativas, e não seria pra menos, afinal Tom Hanks sempre é motivo de uma atenção detalhada.
O cineasta britânico Paul Greengrass, que eu confesso não ser fã, nos obriga a salientar sua inegável capacidade de prender o expectador com sua mania de manter a câmera sempre em movimento para transmitir um maior nervosismo e constante busca pelo realismo das situações, e no final, ele consegue.
Com estrutura semelhante a Voo United 93 (2005), a trama é adaptada de A Captain's Duty, livro escrito pelo Capitão americano Richard Phillips, que em 2009 teve seu cargueiro, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis.
Greengrass, ao lado de seu roteirista Billy Ray, se abstém de diálogos por vezes chatos nesse tipo de filme, e já começa na tensão, pois não demoram 20 minutos para que percebamos a agonia do protagonista, que parece adivinhar o pior.
Os diálogos que se estabelecem, cativam o expectador, pois se concentra nos olhares do ápices do filme e da abordagem dos piratas, um verdadeiro duelo entre Phillips e Muse, o “capitão” da emboscada.
Ali estão os dois líderes de seu grupo, ambos descobrindo a melhor forma de lidar com a situação em que estão envolvidos e, acima de tudo, tentando entender o “adversário”. Nesse sentido, as poucas informações sobre o passado dos personagens funcionam de modo certeiro, repassando essa dúvida também para a plateia. Os realizadores brincam de jogar xadrez na dinâmica entre Phillips e Muse – ou, mais precisamente, entre Hanks e Abdi – acaba se tornando um dos pontos altos do filme. Capitão Philips é um bom exemplo de como fazer filmes pseudo-biográficos, aqueles que contam somente um capítulo da vida de um sujeito, e com perfeição, diga-se de passagem.
O longa consegue fugir do ideal americano, apresentando aquele velho clichê: “Calma, o Tio Sam vem aí e o bicho vai pegar”, e sim, apresenta os EUA de maneira um tanto quanto crível, coisa que 80% dos filmes produzidos em hollywood não conseguem.
O tais fuzileiros navais, que são conhecidos na terra dos yankees como a classe mais alta de um poderio físico humano, cansa de cometer erros ao longo do filme, e acabam por obter êxito, com o comandante que atende por, pasmem, “Castellano”, se é? Bom, aí não sei.
De fato, Capitão Philips é uma ótima pedida pra quem gosta de filmes objetivos e sem muitos diálogos, divirtam-se!

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