sábado, 1 de junho de 2013

Crítica | Faroeste Caboclo: Renato Russo se orgulharia

por Victor Hugo Furtado

Com a estética que se tornou regra nos faroestes, cortando do plano aberto direto para os close-ups, o Brasil produziu pela primeira vez o seu western, e olha que não deixaria Sergio Leone nada envergonhado.

Salvando a integridade e honrando as cinzas de Renato Russo - que estava triste por Somos Tão Jovens - com um tom até às vezes um pouco mais pesado, o publicitário René Sampaio debutando no cinema, conduz a música que já tem quase 35 anos e no mínimo três ou quatro gerações com ela na ponta da língua.

A trama gira em torno do protagonista João de Santo Cristo, com Fabrício Boliveira calando a boca de quem duvidou de sua capacidade. Boliveira como João, é assustador e convincente, trazendo o “ódio por dentro” do personagem que chama atenção por sua autoestima muito bem resolvida, atuação destacável.

Como a canção não é precisa sobre a etnia, e sim apenas preconceito por sua cor, seria fácil, e até evidente, colocar um ator mulato como herói, uma forma de atingir um público maior da nação "parda" brasileira, o que deixa o longa até mais charmoso, pois Santo Cristo me fez lembrar várias vezes o negro libertado de Tarantino, Django Unchained (2012), mas não se vinga tanto quanto eu gostaria.

O quase humorista, Felipe Abib no papel de Jeremias certas vezes parece um pouco caricato, mas ainda assim é menos forçado que Thiago Mendonça. Já Isis Valverde como Maria Lucia dá conta da personagem que leva dois homens travarem um duelo por ela, “na Ceilândia, em frente ao lote 14”, como na boa tradição dos westerns.

Sobre o ator uruguaio César Troncoso eu prefiro me abster perante a magnífica interpretação de cada segundo em que se propõe a interpretar Pablo. Desde El Baño del Papa (2007) e Infância Clandestina (2011) o cara desponta como um grandessíssimo ator. Hollywood batendo a porta, escrevam.

  “Quando criança só pensava em ser bandido    Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu”

Esses versos contam um pouquinho da história de cada preto ou mulato brasileiro em situação de vulnerabilidade social, e que já nascem culpados por algo que não fizeram, mas de alguma maneira, serão obrigados a fazer.

Aqui no Brasil nós não seguimos a mesma carga protestante da cultura americana que precisa de Natural Born Killers (1994) ou Bonnie and Clyde (1967) para expressar o que não temos coragem. Mas é preciso muita audácia para não se empolgar com os momentos em que Santo Cristo é um complexo anti-herói movido por um forte desejo de vingança. Violento, sim, mas justo e disposto a lutar contra o destino que lhe foi determinado. Por consequência, faz os momentos mais interessantes da trama.



É uma pena que esse lado sombrio e cheio de "calibres" - que era meu desejo prioritário - fique em segundo plano, ofuscado pelo romance entre Santo Cristo e Maria Lúcia, mas que também é legal, não ficou nada “novelizado” e infantil.

Minha dica é: assista! é o cinema nacional em plena forma, o filme que traz crítica social, também faz referências interessantes e nada forçadas à ditadura. Pena que esse tipo de filme nós vemos em pouco número na terra dos candangos, o jeito é ficar na torcida para que o cinema brasileiro produza mais faroestes e menos comédias.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Crítica | Star Trek - Além da Escuridão: Fascinante!

por Victor Hugo Furtado

Como eu sempre digo: "Filmes de sci-fi são iguais aos westerns, de dez, se tira dois", Star Trek - Into Darkness equivale a dois. Não é o nosso Star Trek de raiz, mas Mr. J.J. conseguiu captar e transmitir a ideia de maneira bem impactante, tanto para os jovens, quanto para os fãs das antigas.

O enredo segue o cada vez mais teimoso Capitão Kirk e sua tripulação explorando o espaço, até algo dar errado e serem chamados de volta, quando ocorre um ataque terrorista no coração da Frota. Kirk então lidera a caça à John Harrison, uma arma de destruição em massa que anda e fala, e que se infiltra nos pior lugar possível, planejando cada movimento como um jogo de tabuleiro, manipulando ou ajudando a Enterprise.

J. J. Abrams demonstra em Star Trek- Além da Escuridão, porque foi escolhido para continuar Star Wars, respeita a série, os fãs e os filmes anteriores, fazendo homenagens e ainda achando espaço para mostrar um cuidado futuro com a franquia, para novos e excelentes filmes. Abrams caiu realmente nas graças da nova geração de trekkers com o reboot que deu ponta pé em 2009, tudo bem, eu confesso que fui ao cinema já querendo gostar, mas Além da Escuridão supera as expectativas, pois é um dos mais belos filmes ficção cientifica de nossa época.


Seria difícil conseguir superar o perfeito universo de Jornada nas Estrelas com uma sequência, mas o diretor conseguiu manter a pegada, após uma confiante largada, Abrams mantém a franquia indo com uma sequência dinamica e que nos entrega o mais excitante filme desse universo, ainda que sombrio, divertido.

Além da Escuridão – Star Trek, na sua grande parte é uma fantástica diversão: um blockbuster de mais de duas horas que não exagera na entrega ou se arrasta por meados do filme, mantendo uma velocidade tão constante que no momento que você formou uma ideia na cabeça, ele já lhe levou para a próxima surpresa na trama que permeia em um mundo em guerra.

Star Trek, é hollywood em grande forma, criando não apenas um bom espetáculo em termos de ação, mas sem esquecer de construir bons personagens com quem possamos nos relacionar, elenco? elogios claramente inevitáveis, Chris Pine (James T. Kirk) mantém sua performance hilária e emocionante, trazendo toda o espírito de liderança, astúcia e raça do nosso Capitão Kirk, e criando ainda, uma realidade absurda sobre o emocional insensível e ao mesmo tempo frágil do personagem.

Sem esquecer é claro de Zachary Quinto (Spock), que deixou orgulhoso Leonard Nimoy arrancando risadas e lágrimas do público, usando com maestria toda a capacidade do personagem no que condiz ao emocional, ético e lógico.

Juntamente com seu par, Zoe Saldana (Nyota Uhura) que traz uma aparição muito maior à sua personagem no segundo filme, abrangendo toda sua personalidade e importância na Enterprise. Por último, o misterioso vilão John Harrison, que rouba a cena e faz o expectador pular da cadeira em diversas vezes, superando de longe o vilão do filme antecessor.

O filme agrada os fãs, e em resumo, é fascinante, cheio de ação e melhor do que tudo que eu vi nos ultimos anos em matéria de ficção, isso tudo sem mencionar a magia IMAX, que me fez desviar várias vezes dos estilhaços, exercitando tudo que aprendi nas aulas de reflexo da academia da frota estelar. Obrigado e sorte J.J.! me faça tão feliz em Star Wars, quanto em Star Trek - Into Darkness.