terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Club de Cuervos :: Temporada 03

por Victor Hugo Furtado

Ritmo frenético e forte diálogo com os universos esportivo e político. Assim se apresenta a revigorante terceira temporada de Club de Cuervos, série original Netflix que é um fenômeno no México. Com um pano de fundo que transita entre os interesses econômicos por trás das grandes ligas futebolísticas, a produção enfim deslancha para pautas mais sérias sem excluir o humor característico, o que a estabelece como uma das poucas que soube tratar de histórias relacionadas ao futebol com tamanho charme.

Após herdarem o Cuervos Futebol Clube do aristocrático Salvador Iglesias, Salvador "Chava" Iglesias Jr. e Isabel Iglesias alternaram a presidência da instituição esportiva que é um orgulho para pequena e fictícia cidade de Nuevo Toledo. Nesta temporada, enfim, a dupla compacta seus egos intempestivos e começa a se preocupar com o futuro do império que foi posto em risco. Os obstáculos surgem a partir da eminente falta de crédito, popular e financeira, que o clube acumulou depois de investir em jogadores baladeiros, pagar altas multas rescisórias de dirigentes e esgotar suas linhas de empréstimo com o governo. Tais problemas, que traçam um interessante paralelo com a realidade dos reais grandes clubes de futebol, forçam o time a deixar seu estádio em Nuevo Toledo.


Chava Iglesias dá início a trama desse argumento lançando uma trapalhada candidatura a Governador do Distrito. Se vencer, promoverá amplo apoio ao seu time e voltará a disputar partidas na sua cidade, já que os Cuervos agora estão alocados na charmosa Puebla, privados de sediar qualquer evento em seu estádio, que agora está em posse dos Tarântulas FC. Entre personagens que surgem, a narrativa ganha com o acréscimo de novas histórias, como os agora constantes flashbacks que apresentam ao espectador a história de Salvador Iglesias nos anos 1970. Esses novos arranjos de pequenos capítulos farão oposição aos fatos que se mostram no futuro.

Apesar de pecar na falta de respeito a temporalidade dos fatos, algo típico na teledramaturgia por exemplo, saltando dias, às vezes meses, a história ainda prende por suas personalidades envolventes. Quase todos os jogadores, dirigentes ou jornalistas, fazem lembrar facetas recorrentes do imaginário popular. O que evidentemente nos causa empatia com as subtramas que envolvem estereótipos de atletas fúteis, os desamores de Isabel, ou o vício virtual do novo affair de Chava, Isabel Cantú, não por acaso xará de sua "hermanita". 


Mais do que parodiar o sistema político das confederações esportivas cada vez mais corrompidas, vide escândalos reais das Olimpíadas do Rio 2016 e os corriqueiros da CBF, Club de Cuervos se compromete a sinalizar possíveis brechas para uma resolução dessas adversidades. Uma das aventuras dessa temporada aborda a não existência de um sindicato de jogadores mexicanos, que cada vez tem menos espaço nos plantéis titulares e dão lugar a jogadores europeus de salários astronômicos. Fato que começa com cômicos protestos dos lesados e por fim leva Cuau, atleta dos Cuervos, a também postular um cargo como Governador, o que complica cada vez mais os objetivos dos irmãos Iglesias. 

Não é necessário entender as regras ou como funciona de forma extra-campo o esporte mais praticado no mundo para gostar de Club de Cuervos. Figuras como Hugo Sanchez, secretário pessoal de Chava que se descobre homossexual durante a trama, Isabel Cantú, mimada e rica moça que que apenas se importa com seus seguidores no Instagram, ou até o próprio Chava, que apenas quer ser reconhecido como um jovem e bem-sucedido empresário, nada tem a ver com esse bate-bola inventado por ingleses e fortemente triunfado por brasileiros. Estes, e tantos outros, são representados como meros reféns de uma atividade lúdica que movimenta milhões de dólares e transforma o povo em massa de manobra. A genialidade de Club de Cuervos é abordar de maneira contemporânea, e bem-humorada, um fenômeno histórico: a manipulação das classes por meio de suas maiores paixões. 

NOTA: 9/10

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mad Men :: Temporada 01

por Victor Hugo Furtado

Uma viagem detalhada e minuciosamente cuidadosa ao início dos anos 1960. Assim podemos classificar o início desta série que, ao lado de Família Soprano (1999-2007), revolucionou a maneira de se contar histórias seriadas sobre anti-heróis. Ambientada numa charmosa época de um modernismo em auge, a obra busca retratar a realidade por trás de famílias estruturadas, eletrodomésticos maravilhosos, propagandas que celebram a vida e sonhos aparentemente alcançáveis, apresentando cotidianos suburbanos, opressivos e machistas.

O elo entre o espectador e esse mundo contraditório situado bem no meio do século passado, é o diretor de criação da companhia publicitária Sterling Cooper, Don Draper, interpretado de maneira brilhante pelo até então desconhecido Jon Hamm. Esse personagem, que dita o tom cafajeste desta produção, surge como provocação ao americano perfeito e mascara sua covardia, medos, mentiras e apegos, transcendendo uma persona totalmente elegante, confiável e envolta de um charme muito próximo a estrelas, como Humphrey Bogart, Rock Hudson e Marlon Brando.


Seu mundo é a publicidade, e Draper está para os anúncios como Elvis para o Rock N’Roll. O mundo de Don Draper é, acima de tudo, um mundo de mulheres, cigarros e bebidas alcoólicas, numa era em que ser secretaria já era motivo de realização pessoal, amantes eram diversão casual necessária e cigarros podiam ser fumados nos banheiro, trabalho, carro, cama, jantar e etc. Mesmo deslocado em seu mundo, e talvez por isso, seja a figura menos opressora e mais distinta de todos os outros personagens, Don transborda intensidade melancólica e persuasão naquilo que nem ele acredita, pois também não consegue entender o porquê de suas constantes fugas de uma vida aparentemente perfeita, com uma grande casa, carro do ano, lindos filhos, e uma esposa sósia de Grace Kelly. Mesmo que responda com veemência e autoridade irrefutável um ativista, usuário de drogas que o acusa de “fabricar sonhos”, ele mesmo não acredita no mundo que vive e que seu futuro seja bom. E esse é o grande trunfo do programa, nada faz sentido para Draper.

Ao longo de cada capítulo, é apresentada uma nova fraqueza do protagonista e um personagem é desenvolvido. Nesse percurso, personagens fortes ficam fracos, e fracos tornam-se fortes, pois mesmo que o status quo da época pré-defina a área em que cada ser, nivelado por sua classe ou gênero, deverá atuar, esses conceitos podem se quebrar diante de humanos cada vez mais desenvolvidos, como a secretaria Peggy, que almeja mais que redigir telegramas, o riquinho Pete, que quer ser reconhecido por seu trabalho e não por seu sobrenome, o executivo Roger, que quer mesmo é aproveitar os anos que lhe restam, ou mesmo sua esposa Betty, que não se conforma com a suposta realização e felicidade que suas vizinhas insistem em dizer que ela tem. Entretanto, há personagens, como a secretária chefe Joan, que não é capaz de enxergar, por ora, um mundo onde não sofreria abuso sexual e seria tratada como uma dama, ou como o magnata e dono da empresa, Bertram Cooper, que se ilude ao pensar que é um líder sábio e conhecedor de filosofias orientais, mas não passa de mais uma engrenagem, mesmo que grande, de um sistema que demite e admite respeitando apenas o clima amigável do golfe dominical. Porquê inovar se já está dando certo?  


Mad Men, em primeira instância, irrita por lançar o espectador a um mundo ainda não tão distante de nós, onde o racismo e o machismo eram mais do que normais, e nos envergonha por mostrar que cremos em sonhos fabricados. Apesar disso, de episódio em episódio, ancorado pela figura imponente, sedutora e criativa de Draper, tabus são quebrados e novas histórias de uma década precursora dos direitos civis vão surgindo para mostrar que o sucesso pessoal e profissional dos seres humanos não faz sentido diante de uma realidade predatória, incomum, injusta e desregrada.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Kóblic

por Victor Hugo Furtado

Os cidadãos da América Latina podem se identificar uns com os outros de diversas maneiras, mas poucas são tão palpáveis quanto as intensas ditaduras do século XX. No cinema, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006) e Infância Clandestina (2012) são bons exemplos de obras que exploram sujeitos afetados pelo regime, mas que não podem intervir no curso da história. Já produções como No (2012) mostram o lado de quem pode, ainda que pouco, optar diante das situações que lhe são impostas. Koblic (2016) é um desses.

Reeditando a parceria entre Sebastián Borensztein e Ricardo Darín, que já pode ser considerada como cult em Um Conto Chinês (2011), o longa acompanha o piloto da Força Aérea Argentina Tomás Koblic (Darín), que foi recrutado para conduzir uma das missões que ficaram conhecidas como voos da morte, nas quais oficiais lançavam prisioneiros políticos ao mar. Ao decidir não abrir o compartimento de carga do avião para que seus superiores pudessem concretizar o plano, também se tornou um perseguido pelo regime.

Foragido, muda-se da capital para o pampa argentino, mais precisamente na colônia Helena, na busca por um local onde não possam encontra-lo para fazê-lo pagar por seu crime. Mergulhado em pensamentos, ele conflita-se sobre suas escolhas e tenta levar uma vida relativamente normal como piloto de aeroplanos pulverizadores de plantações, trabalho oferecido por um antigo amigo, algo um tanto quanto despretensioso para um cinquentão que outrora fora um oficial da armada nacional. Naturalmente sua presença forte, e seu relativo charme, chamam a atenção do pequeno povoado, desde a moça que sonha em descobrir o mundo, Nancy (Inma Cuesta), até o delegado corrupto, Velarde (Oscar Martinez), que suspeita de Tomás desde o primeiro contato entre ambos.


Mostrando nítido amadurecimento de Borensztein frente a narrativa de seu cinema, desde Um Conto Chinês (2011), este não perde tempo e logo introduz todos os personagens nos primeiros minutos, tornando a tensão e as desconfianças cada vez maiores. Após os primeiros eventos que denunciam Koblic como um forasteiro, como o jeito de se vestir, a fala e a recusa por deixar uma conta em haver mesmo que num vilarejo, ele passa a conviver dia após dia com os olhares dos moradores. Principalmente de Velarde, que se torna um carrapato em busca de pistas que condenem aquele que o tornou um coadjuvante em seu pequeno reinado.
Mesmo que, por vezes, pareça arrastado, o filme exige grande atenção do espectador para que este não se perca em meio a momentos de total silêncio e outros de intensos embates verbais ou físicos. Como se os problemas pessoais de Tomás já não fossem excessivos, a ação o procura, obrigando-o a assumir decisões com grandes consequências num período muito curto. As atitudes que o foragido herói toma em cada situação também o diferem daqueles que o perseguem.

No entanto, há uma atuação pela qual vale a pena ver este filme, e esta é a impressionante caracterização de Martinez. O homem com o sorriso amarelo está quase irreconhecível em função das camadas de maquiagem, peruca e até mesmo dentes falsos. Este conjunto é completado por seus gestos e um sotaque interiorano muito natural. Há também revelações, como o caso de Marcos Cartoy Diaz, o assistente no aeródromo que cresce com o passar do tempo para se tornar alguém importante. Em termos técnicos, o cineasta consegue criar momentos de grande tensão em uma narrativa muito linear. Isso se percebe na opção de deixar de lado fotos aéreas ou explosões, dando assim um toque de classicismo, variando entre o desespero e a angústia profunda de maneira muito cativante.



Ao final, a mensagem consegue ser passada com até evidente nitidez. Koblic se assemelha muito ao Capitão Nascimento de Tropa de Elite (2007), tendo de conviver com a ideia de que as conquistas que o acompanharam a vida toda foram reduzidas a quase nada quando percebe que a vontade de seus superiores o torna mais uma peça da grande engrenagem. Borensztein opta por deixar as mesmas pontas soltas que gerou no longa de 2011, frustrando o espectador que anseia uma resolução mais clara. Mesmo assim, o modo tenso e ao mesmo tempo revigorante em que a trama se desenrola não pode ser subestimado, e Koblic é uma produção muito peculiar e proveitosa dentro de suas limitações. Ricardo Darín prova mais uma vez que sua figura dialoga com o público, mesmo que não diga nenhuma palavra, enquanto que a revelação é mesmo Oscar Martinez, um dos atores mais versáteis de sua geração.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Batman Vs Superman - A Origem da Justiça

por Victor Hugo Furtado

Batman vs Superman expõe de vez as limitações da DC comics no cinema. Os estúdios da Marvel começaram em 2008, o que a Warner Bros "começou" de maneira atropelada em 2013. O que teve um início bastante animador com Man of Steel, trazendo finalmente uma história concisa e interessante do Superman, ao melhor estilo "Novos 52", tem sua continuação com uma batalha entre ele e o outro carro chefe da editora, o homem-morcego, com críticas mistas.

O confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) em Metrópolis fez com que a população mundial se dividisse acerca da existência de extra-terrestres na Terra. Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle.

Bruce Wayne (Ben Affleck) é um dos que acreditam nesta segunda hipótese. Sob o manto de um Batman violento e obcecado, ele investiga o laboratório de Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que descobriu uma pedra verde que consegue eliminar e enfraquecer os filhos de Krypton.

O diretor Zack Snyder, responsável por ótimos filmes, como 300 e Madrugada dos Mortos, foi desde o início, uma interessante escolha para dar continuidade ao universo DC que ele provou ser conhecedor em Watchmen. O corajoso longa, Man of Steel, de 2013, acendeu os corações dos fãs, brilhando uma luz no fim do túnel para retratar um universo no cinema, tão bem quanto a Marvel faz. Com críticas relativamente positivas, a Warner tratou rapidamente de dar continuidade ao universo, confrontando em relativa rapidez Batman e Superman, como nas iconicas HQs do anos 80. Perfeita ideia para um começo de franquia.

Zack Snyder, não sabemos sua posição ainda, pareceu confuso com algumas decisões tomadas em relação ao roteiro. Sem dúvida foi corajoso ao confrontar os personagens e em empregar histórias tão famosas de ambos. O problemas maior, é que 02h30m de filme não são suficientes pra tanta história. Em uma cena de making of, no blu-ray de Man of Steel, Snyder já dava indícios do que faria, quando se denominou fã n°1 das HQs "Batman vs Superman" e "A Morte do Superman". Quanto a isso, não há mais considerações a ser feitas, o assunto da deturpada saturação do roteiro já está sendo debatido demais.

Em relação aos personagens, começo pelo melhor, Batman. Definitivamente o que queríamos, um morcego frio, atormentado, imponente esteticamente, maduro e dono de um excelente repertório de golpes. Sustenta as partes mais críticas do filme. Batman dos quadrinhos definitivamente. Não excluindo é claro, o excelente vivido por Christian Bale, porém dando ainda mais personalidade ao herói. Confesso que quando li "Wayne de Gotham", livro de Tracy Hickman, imaginei um Batman com as mesmas características do feito por Ben Affleck. Admirável.

Quanto ao Superman de Henry Cavill, que sejamos francos não é um grande ator, convence como fez em Man of Steel. Boa atuação, esforçada eu diria. Agora, precisa melhorar o seu Clark Kent, no qual ele parece não ter decidido qual personalidade adotará.

Lex Luthor parece afetado demais, isso incomoda bastante, tornando a maioria de suas aparições massantes. Em relação aos novos personagens, tomaram o tempo necessário da trama, poucos minutos, muito empolgantes. Aquaman então, nem se fala, gostei muito. A luta em si, faltou clímax. Os golpes se desenvolveram bem e empolgaram, as falas ótimas, os argumentos convincentes, mas  a parte final frustrou.

Batman vs Superman foi tragado pelos espectadores mais críticos de maneira mais amarga. Terminou com uma sensação estranha. Embora dificilmente possamos dizer que o filme é ruim, ele não é realmente o que queríamos. Mas com estranha impressão de que o filme da Liga será melhor e menos atropelado. Mulher-Maravilha também promete ser uma boa trama.

Batman vs Superman é ousado e diferente, por vezes confuso. Frustrante? um pouco, mas é um bom filme e que proporciona um gama de discussões a respeito dos super-heróis. Cabe também lembrar que o universo da DC Comics é mais complicado de ser retratado nas telas do cinema, já que suas histórias já não são mais tão bem aceitas como na era de ouro dos quadrinhos. Vale a pena conferir nem que seja pelas excelentes aparições do heróis e as cenas de luta.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Crítica: Deadpool


por Victor Hugo Furtado

Já estava mais do que na hora das coisas acontecerem. A FOX acertar a mão em um filme de super-herói e também se descompromissar e fazer algo bem feito. "Deadpool" não é uma obra prima, mas de longe, é um dos melhores filmes do gênero.

Baseado no personagem que apareceu pela primeira vez num dos quadrinhos dos X-Men, em 1991, o filme conta a história do ex-militar e mercenário, Wade Wilson (Ryan Reynolds), que é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Todos já sabem da árdua maratona que Ryan Reynolds percorreu para que o filme solo do Deadpool acontecesse. Depois de longos oito anos de puxação de saco entre Reynolds e os estúdios da FOX, uma breve e catastrófica tentativa de empregar o personagem em Origens: Wolverine (2009) e outro filme de um super-herói verde que é melhor nem lembrar, por fim, aí está! Deadpool como o herói do humor e das referências sem freio. 

Confesso que não esperava muito do filme de um personagem que por vezes "cansou" as redes sociais com tantos Gif's, memes e fotos que exaltavam seu senso de humor contra outros heróis. Justiça seja feita, esse filme só saiu por causa dos fãs nessas redes, para enfim convencer os estúdios. O resultado é um filme engraçado, com senso de humor exagerado mas que diverte, muito por causa das excessivas referencias a personagens reais e elementos da cultura pop. 

Deadpool tem menos cenas de ação que o trailer prometeu mas mesmo assim, entretêm. A trilha sonora é engraçada e caracteriza o filme. Reynolds provavelmente fez o papel da vida e provavelmente não voltará a se sentir tão a vontade em outro. 

Não é um filme para crianças, está mais para adolescentes. Vale a pena dar uma conferida, não só pela qualidade do filme, mas também pelo esforço que Ryan Reynolds fez para que o projeto se concretizasse. 




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Crítica: O Regresso

por Victor Hugo Furtado

Como se fosse uma novidade, agora todos falam de Alejandro G. Iñárritu, que já chama atenção desde o excelente e arrebatador, "Amores Perros" (2000), considerado o Pulp Fiction do cinema latino. Não, não é modinha, Iñárritu é um dos melhores diretores dos últimos anos e nada impede que ganhe pela segunda vez consecutiva o Oscar de melhor direção. O que seria muito legal, porque até 2014 nenhum latino havia ganho o prêmio da Academia. Em 2016, podemos ver o terceiro consecutivo.

A trama épica, baseada em uma história real, se desenrola em 1822. Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

Muito antes das histórias retratadas por Clint EastWood no oeste americano, os americanos já rezavam lendas das imigrações e descobertas de seu solo cheio de mistérios e histórias alucinantes. Essa é uma delas. Em uma época em que os índios eram a maioria esmagadora da população norte-americana, o homem branco vindo de pelo menos três ou quatro partes diferentes do velho continente, buscava desbravar, conquistar, "educar os selvagens" e, é claro, lucrar. Não teriam se arriscado tanto para se deslocar de tão longe se não fosse por algum motivo desses.

Enquanto existir cinema, os americanos continuarão a valorizar de forma plena sua história cheia de sangue. Todos os países tem uma, mas a deles é retratada em audiovisual. O que vem acontecendo, são essas histórias com o dedo de diretores como Iñárritu, que valoriza os indígenas como devem ser valorizados e principalmente compreendidos, afinal, a terra era deles.

Iñárritu constrói uma sólida narrativa adaptada do livro de Michael Punke, que claro, será contestada como de costume, mas que na construção cinematográfica não se pode levantar muitos dedos para contrariar as posições dele tomadas. Escolheu os atores certos, levou o tempo necessário, fez o espectador imergir e sim, é merecedor de prêmio e que seus atores também sejam. Até porque, se DiCaprio não vencer dessa vez, pode começar a desconfiar que alguém esteja o boicotando.

Pois bem, depois de "Lincoln", "Argo" e "12 Anos de Escravidão", esse filme é a nova sensação do começo de ano e da temporada de premiações. Pode ganhar? pode. Pode cair no esquecimento como "Argo"? também pode. Você pode assistir? Deve.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Crítica: A Grande Aposta

por Victor Hugo Furtado

Uma linguagem muito didática para explicar um assunto que uma grande parcela da população tem dificuldade de entender: a economia. Essa é a proposta do, ainda jovem diretor, Adam McKay. Com veia de comediante, ele conseguiu não só explicar a crise financeira mundial de 2008, como também fez piada com o assunto (o tempo todo).

O enredo proposto por McKay apresenta histórias diferentes unidas por um propósito, como a de Michael Burry (Christian Bale), dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. 

Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso.

No filme, todos os personagens, Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt interpretam investidores de personalidades muito distintas, que cada um, à sua maneira, conseguiu prever o comportamento dos norte-americanos que conduziu a crise financeira que começou em 2007. 

Os bancos permitiram que pessoas que não tinham recursos comprassem casas à crédito. Quando a bolha estourou, a crise deixou milhões de pessoas desempregadas e sem lugar para morar.

Por contas das diferentes personalidades, esses, descobrem e reagem desde 2005, na linha do tempo da trama, de maneiras diferentes e peculiares, dando ao espectador, diferentes linguagens e percepções do que aconteceu realmente. 

Por conta do assunto, muito desgastante, é bem possível que muitas pessoas não gostem do filme. Nem por isso, deixa de ser uma grande obra cinematográfica sobre economia. Vale a pena conferir "A Grande Aposta" e tentar entender mais sobre o que aconteceu na crise financeira de 2007-08 e também rir um pouquinho. Ah! E as atuações são impecáveis. 



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Crítica | Creed: Nascido Para Lutar

por Victor Hugo Furtado

Quando a gente pensa que não vem mais nada pela frente, surge um filme como "Creed: Nascido Para Lutar". Como fã quase irresponsável da franquia "Rocky", tenho que admitir a singularidade e principalmente, profundidade dada ao personagem Adonis Creed, que pode ser comparada com os primeiros filmes de Rocky.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. Após muito insistir, Adonis consegue convencer Rocky Balboa (Sylvester Stallone) a ser seu treinador e, enquanto um luta pela glória, o outro luta pela vida.

Nada como nomear o herói inspirado nos gregos mais uma vez, para revisitarmos as importâncias da luta contra o "eu" tão recorrente nessa própria mitologia como também na "mitologia" Rocky. Com um propósito de se descobrir e ao mesmo tempo se desvencilhar das mágoas com o pai que nem conheceu, o personagem de Michael B. Jordan é muito Geração Y, porque procura seu lugar ao sol, mesmo que por vezes nem saiba que lugar é esse.

Com o apoio de Balboa ele encontra seu lugar e como se estabelecer nele. Com a humildade de sempre e a já sabedoria de um ancião, o lendário Sylvester Stallone desta vez em segundo plano, desfila carisma e vontade de deixar mais um legado, mesmo que às vezes nem saiba que pode mais. A humildade se reforça cada vez que ele frisa a importância de Adonis "fazer seu próprio nome" mas sem esquecer a história de seu pai, Apollo.

É importante destacara também que na questão das cenas de luta, esse sai em disparada contra todos os outros seis filmes. Visivelmente esse filme tem as lutas mais interessantes. Se nos outros, as lutas tinham muito sangue e barulho, nesse, o espectador tem total percepção da geografia da cena, nos fazendo realmente sentir a força dos socos e a estratégia de cada lutador. Muito bom mesmo.

A franquia Rocky sempre teve como sustentação a humildade, que Rocky tem de sobra, e também o respeito racial, aprofundando mais Apollo Creed e mostrando que o boxe não é só um esporte onde negros vencem, mas que também se tornam porta-voz da anti-descriminação. Apollo, dadas as proporções, é Muhammad Ali. Se nos idos de 1976, Rocky já desmontava preconceitos, em "Creed", só se reforçam essas ideias. Vale a pena conferir e se emocionar mais uma vez com as preparações para encarar a vida tão retratadas nestes filmes... ah! e claro, também é preciso cautela para uma continuação. Esse filme terminou muito bem para ser estragado logo em seguida.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Star Wars: O Despertar da Força - SEM spoilers

por Victor Hugo Furtado

Participação no programa Revista Feevale (17.12), do Núcleo de Rádio da Universidade Feevale para comentar sobre Star Wars - O Despertar da Força. 

Sinopse: Muito tempo após os fatos de "O Retorno de Jedi", encontra-se a Primeira Ordem, uma organização sombria iniciada após a queda de Darth Vader e do Império. O grupo está em busca do poderoso Jedi Luke Skywalker, mas terão que enfrentar outro grupo em busca de Luke: a Resistência, liderada por Leia.

Direção: JJ Abrams
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill Mark Hamill e Lupita Nyong'o.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Crítica | Que horas ela volta?

por Victor Hugo Furtado

"Que Horas Ela Volta?" é inteligente ao propor a discussão que envolve o público com o cotidiano de sua protagonista, que surge fazendo todo tipo de serviço doméstico. Ao fim do dia, exausta, Val se deita em uma cama estreita ao lado do criado-mudo que traz a foto de sua filha e, no fim de semana, pega o ônibus para encontrar amigas na periferia enquanto espera a hora de retomar a labuta.

Trata-se, de uma daquelas relações profissionais que eram muito comuns no Brasil até há cerca de 15 anos: as famílias de classe média para cima tinham, como parte de seu núcleo, uma empregada que “dormia no trabalho” e que era “quase da família” – mas uma “quase parente” que dormia no quarto minúsculo dos fundos, almoçava depois dos patrões e que podia ser chamada a qualquer hora para limpar algo derramado ou para levar um copo de leite na cama para o patrão. Uma realidade na qual moças de 14, 15 anos eram trazidas do interior do país a fim de morar/trabalhar em regime de quase escravidão – mas uma escravidão “humanizada”, de liberais.

A Val é neste sentido, mais do que uma personagem, mas um símbolo de uma época, de uma dinâmica que durou séculos (e que não se extinguiu completamente, é importante apontar). É mais velha e mais experiente, mas respeitosamente chama a jovem patroa de “dona” e “senhora”. É “quase da família”, mas seus patrões não sabem sequer o nome de sua filha e mal parecem escutá-la quando tenta discutir algo pessoal.

“A pessoa já nasce sabendo sua posição”, explica Val à filha em certo ponto. “Quando eles oferecem alguma coisa deles, é por educação; eles sabem que vamos dizer ‘não’”, ela ensina sem qualquer traço de ressentimento. 

Enfim, o reconhecimento de que só não haverá luta de classes quando finalmente percebermos que dividir a humanidade por status econômico é algo que já deveria pertencer somente à História.



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Figurino | "A Garota Dinamarquesa"

por Poly Gouvêa

Com data de lançamento marcada para o dia 27 de Novembro, nos Estados Unidos, o longa "A Garota Dinamarquesa" promete ser um marco na carreira do diretor Tom Hooper. Sucesso na última edição do Festival de Cinema de Veneza, a história traz a questão do transexualismo nos anos 1920 como temática principal, baseado-se em fatos reais da vida do artista Einar Wegener/ Lili Elbe interpretada pelo o vencedor do Oscar, Eddie Redmayne.

O ator por si só, já possui um rosto extremamente expressivo para a construção desse personagem, apresentando uma quantidade certa de delicadeza dos traços complementada por uma maquiagem muito bem realizada. O figurino em si traça essa jornada, mostrando a fase inicial do personagem, com seus ternos em materiais mais pesados, porém de cortes impecáveis, trazendo todos os elementos para caracterizar o homem da época (camisa, colete, blazer, lenço ou grava como complemento). 

Nos momentos seguintes, os vestidos utilizados por Lily apresentam certo recato e inocência, com decotes arredondados e tonalidades empalidecidas. É importante destacar ainda, elementos característicos do período, como o brilho discreto, os comprimentos mídi, cortes retos e materiais como o veludo, a lã e a seda, presentes em diversas peças.

Assinado pelo espanhol Paco Delgado (Lés Miserables, A pele em que hábito), o figurino promete ser um deleite para os aficionados em moda e cinema.




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Crítica | Missão Impossível - Nação Secreta

por Victor Hugo Furtado

A franquia Missão Impossível chama atenção logo de cara, quando percebemos que excetuando o segundo filme, de 2000, se mantém ao longo desses quase 20 anos, em plena forma e muito linear.

Dessa vez, Ethan Hunt (Tom Cruise) descobre que o famoso Sindicato (organização secreta internacional) é real, e está tentando destruir o IMF. Mas como combater uma nação secreta, tão treinada e equipada quanto eles mesmos? O agente especial tem que contar com toda a ajuda disponível, incluindo de pessoas não muito confiáveis.

Pra começo de conversa nem parece que Tom Cruise tem 53 anos, ainda tem cara de recém ter chegado na casa dos 40. Assusta ainda mais quando descobrimos que a primeira cena é feita por ele mesmo, aquela que tinha tudo para ser o ápice do filme (em muitos outros filmes menos credenciados, seria), onde ele se segura em um avião decolando. A partir da primeira cena, onde tamanha é a realidade e identidade visual, o filme se obriga fazer algo maior. E consegue.

Com muita segurança, o diretor Christopher McQuarrie dá o tom da trama e ousa em certos momentos nas reviravoltas do filme. McQuarrie faz seu trabalho e sem dúvida, diverte do início ao fim, e isso é muito importante.

Simon Pegg é o alívio cômico, que desempenha com maestria e não é de hoje, mas curiosamente, Tom Cruise aceita as piadas e ao aceitar, recompõe e contribui. Rebecca Ferguson é o tom dramático, imprevisível e toma conta da dramatização do filme. Muito talento pra uma escandinava só.

Apesar de humor e a aventura fazerem parte da maioria do filme, as cenas de luta e combate em geral, são todas de alta qualidade técnica e visual. Talvez as melhores da franquia.

Missão Impossível é um ótimo filme, um tanto longo mas o tempo passa desapercebido. Vale a pena conferir Tom Cruise em mais uma de suas apresentações performáticas no papel de Ethan Hunt.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crítica | Homem-Formiga

por Victor Hugo Furtado

Dr. Hank Pym (Michael Douglas), o inventor da fórmula/ traje que permite o encolhimento, anos depois da descoberta, precisa impedir que seu ex-pupilo Darren Cross (Corey Stoll), consiga replicar o feito e vender a tecnologia para uma organização do mal. Depois de sair da cadeia, o trambiqueiro Scott Lang (Paul Rudd) está disposto a reconquistar o respeito da ex-mulher, Maggie (Judy Greer) e, principalmente, da filha.

Com dificuldades de arrumar um emprego honesto, ele aceita praticar um último golpe. O que ele não sabia era que tudo não passava de um plano do Dr. Pym que, depois de anos observando o hábil ladrão, o escolhe para vestir o traje do Homem-Formiga.

Homem-Formiga consegue se manter em um universo muito particular e não confrontar o já estabelecido pelos “Vingadores”, provando mais uma vez que o planejamento da Marvel e da Disney funciona e muito. O humor não chega não é maçante e não se torna desnecessário, massivo e desinteressante como “Homem de Ferro 3” (sempre será usado como exemplo) porque a escolha de Paul Rudd foi excelente, cumpre seu papel e dá um tom mais informal ao personagem.

A trama transcorre com naturalidade em quase duas horas e pode ser caracterizado simplesmente como ótimo filme, engraçado, inteligente, bem atuado e que separa muito bem seus núcleos. Como tudo tem um, porém, o roteiro é por vezes previsível e dotado de clichês, mas não compromete.

Homem-Formiga é mais um dos autênticos filmes da Marvel com muita ação, humor e personagens carismáticos que seduzem públicos de qualquer idade. Assim como “Guardiões da Galáxia”, descobrimos que podemos exigir sim que os filmes de super heróis sejam cada vez melhores, especialmente se tratando de trilha sonora. Homem Formiga é um ótimo filme de super-herói, mais héroi, do que super. Atenção às duas cenas pós-creditos.



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crítica | O Exterminador do Futuro: Gênesis

por Victor Hugo Furtado

Em 2029, a resistência humana contra as máquinas é comandada por John Connor (Jason Clarke). Ao saber que a Skynet enviou um exterminador ao passado com o objetivo de matar sua mãe, Sarah Connor (Emilia Clarke), antes de seu nascimento, John envia o sargento Kyle Reese (Jai Courtney) de volta ao ano de 1984, na intenção de garantir a segurança dela.

Entretanto, ao chegar Reese é surpreendido pelo fato de que Sarah tem como protetor outro exterminador T-800 (Arnold Schwarzenegger), enviado para protegê-la quando ainda era criança.

“O Exterminador do Futuro: Gênesis” chega às telas com a marota proposta de nada mais, nada menos que reescrever a história. Tarefa simples (ironia). Ora, um dos filmes mais aclamados dos anos 80 e que tem como continuação uma das melhores sequencias da história de Hollywood, “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final”, do nada, agora aparece com outra trama? Pode parecer tolo o que digo mas, onde fica o respeito aos sentimentos do fã e do expectador que compra boxes da trilogia em promoção no eBay e tem pôsteres no quarto?

Inserir viagem no tempo em roteiros, as vezes conserta, outras estraga, nesse, explode de tão ruim. Confunde-nos, espanta novos fãs e ainda por cima estraga o que já foi feito. Conta-se no dedos os longas que conseguiram trabalhar com o tema viagem no tempo com excelência.

Excluindo a parte de desgaste da franquia, até diverte quando falamos em “filme pipoca”, explosões, tiros, efeitos cada vez mais perfeitos capazes de criar um Schwarzenegger de 30 anos de idade. Mas no contexto fica esquecido.

A verdade é que a franquia já devia se dar por finalizada, é uma grande surpresa que esse último filme tenha terminado, ainda que confuso, tão bem. O pior de tudo, é que percebemos nas ultimas cenas, que vem mais por aí, o que é muito triste, pois se já faltaram argumentos para convencer até o mais fanático dos fãs do Exterminador (Sherminator, vide “American Pie”), preparem-se para uma chuva do que há de mais substituível e deseducador na área dos blockbusters. Repito: é uma grande surpresa que esse último filme tenha terminado, ainda que confuso, tão bem.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Crítica | Jurassic World

por Victor Hugo Furtado

O Jurassic Park, localizado na ilha Nublar, enfim está aberto ao público. Com isso, as pessoas podem conferir shows acrobáticos com dinossauros e até mesmo fazer passeios bem perto deles, já que agora estão domesticados.

Entretanto, a equipe chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard) passa a fazer experiências genéticas com estes seres, de forma a criar novas espécies. Uma delas logo adquire inteligência bem mais alta, logo se tornando uma grande ameaça para a existência humana.

Um dia “Mad Max”, no outro “Poltergeist” e dali a pouco “Jurassic Park”. Enfim, voltamos ao século passado. Alheio às mesas redondas que debatem a criatividade do cinema contemporâneo, foquemos no “Jurassic Park”, o parque de dinossauros que, nas mãos de Spielberg, encantou o mundo em 1993 e levou mais de 1 milhão de expetadores ao cinema para encher nossos olhos de surpresa e aguçar nossa imaginação embalada pela trilha inesquecível de John Williams.

Agora é “Jurassic World”, que finalmente abriu para o público em geral e dá a entender na trama que deixou os parques da Disney em Orlando pra trás na questão do entretenimento. É um filme que diverte, ensina, assusta e encanta. Para os mais chegados à franquia, por vezes até emociona, principalmente na cenas finais.

Independente de um certo abuso da nostalgia, o filme é muito divertido e é o que mais podemos chamar de "filme pipoca", é bom, inteligente, e facilmente "mastigável", que não é preciso atentar para cada detalhe para tirar-se proveito. Apesar de as referências por vezes serem minimalistas e exigirem certa atenção, como a camiseta do jovem funcionário comprada no E-Bay.

Obviamente que comparado ao seu primeiro filme, perde, e muito, por razões que vão de contexto histórico até efeitos especiais. O protagonista (humano, pois os reais são os dinossauros) rouba a cena. Chris Pratt já havia feito isso em "Guardiões da Galáxia" e volta a fazer com maestria. Mais um ator estilo Robert Downey Jr. resgatado de filmes B e inserido no mais alto escalão de Hollywood. Com méritos.

Jurassic World é um filme muito agradável, claro que com pequenos erros e excessos, principalmente no que diz respeito a parte "Spielbergiana" da trama, quando aparecem os irmãos que só estão no filme para ocupar mais um núcleo. Núcleo chato, não agrega em nada. Levante-se e leve a família toda para ver Jurassic World, um das continuações muito bem feitas de filmes mais antigos comparados a tantos outros recentes de outras franquias.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Crítica: Os Vingadores - Era de Ultron

por Victor Hugo Furtado

É com uma estética muito interessante e um amadurecimento já esperado, que podemos apreciar “Vingadores – Era de Ultron” ou “Vingadores 2” para os que gostam de encurtar. Mais maduros mas nem por isso menos brigões, o novo longa dos heróis da Marvel empolga bastante. Ainda na direção do competente Joss Whedon, o filme não é tão mais sombrio quanto se esperou, mas muito mais do que o primeiro.

A trama dessa vez gira em torno da tentativa de Tony Stark alavancar um programa de paz virtual, as coisas dão errado e os maiores heróis da Terra, incluindo: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, o Incrível Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, enfrentam um teste derradeiro enquanto o destino do planeta está em jogo.



A equipe deve voltar a reunir-se para derrotar um vilão tecnológico disposto a provocar a extinção humana. Pelo caminho, enfrentarão dois poderosos seres, a Feiticeira Escarlate e o Mercúrio e conhecerão um velho amigo numa nova forma quando J.A.R.V.I.S se tornar o Visão.


O que chama a atenção em Vingadores, é um universo bem construído, assim como os outros. Para concretizar com maestria uma trama de super-heróis, necessita-se prioritariamente de um vilão a altura e um pouco acima dos heróis de vez em quando.

Ultron, o vilão do filme, é a esperança de um Tony Stark cada vez mais obcecado por segurança, mais até do que em “Homem de Ferro 3”, o vilão nasceria como uma oportunidade de segurar a terra de ataques alienígenas, mas, diferente de muitos robôs que nos acostumamos ver no cinema, Ultron é uma mistura de JARVIS, com seu criador Tony Stark e o resto de vontade própria, que acaba por entender que a solução pra raça-humana, é sua extinção. Ou seja, que ela se prejudica cada vez mais e não há espaço para novos erros da espécie. 


Ultron é um vilão desenvolvido e bem distinto, cheio de trejeitos e sacadas inteligentes, apesar de deixar uma sensação nítida de que no final das contas, não assusta e intimida tanto quanto nos trailers. Os Vingadores ainda podem enfrentar algo maior.Junto com ele, surgem os gêmeos, Mercúrio e Feiticeira Escarlate, inserção que por vezes se mostrou substituível, apesar de protagonizarem algumas cenas engraçadas.

As cenas de luta empolgam mais nesse filme do que no primeiro, em dados momentos, aliado a tecnologia 3D, não se sabe muito bem pra onde olhar. Vale ressaltar que nesse ponto, a primeira cena do filme, conta com um belíssimo plano sequência dos heróis lutando na neve contra um exército, que lembra muito as HQs, tudo sincronizado e bonito de ver, deixando já nos primeiros segundos de filme, a percepção deles mais entrosados e amigos, parceiros como devem ser.

“Vingadores – Era de Ultron” é mais um filme de ponta da nova fase Marvel nos cinemas, pode bater AVATAR como a maior bilheteria de todos os tempos e é recomendado para todos os públicos. Ah, e a cena pós-créditos é bem instigante.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Crítica | Birdman

por Victor Hugo Furtado

Do inteligente diretor mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu, aquele mesmo que assustava lá no início da década passada com seu Pulp Fiction Mexicano, “Amores Perros”, e que se seguiu com seu clima frio e derrotista em “Babel” e “Biutiful”, mais uma vez nos faz refletir sobre como podemos plantar hoje, para colher no futuro.

A trama se desenrola através do olhar de Riggan Thomson (Michael Keaton) que no passado fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone da cultura pop. Porém, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway.

Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.

Mesmo com seu clima de fim triste, Birdman é um trabalho diferente, não menos ousado de Iñárritu, mas diferente. Sempre ganhando em roteiro, considerado e já comprovado como seu forte, concentra em uma câmera de plano sequência que se torna viciante do início ao fim, dando a sensação de profundidade e mergulho literário e geográfico do espectador pelas vielas da parte de trás dos palcos da Broadway.

Apesar de todo o clima tenso em todos os momentos, o filme sugere esperança para um homem que busca se reinventar e que sempre há tempo para novas aventuras, heróicas ou humanas. Além de toda a profunda reflexão de passado, presente e futuro de “Birdman”, Iñárritu tempera essa ótima história com a canibal relação da crítica e os envolvidos na produção teatral da Broadway, que como retratada no longa, é de longe, mais devoradora que a do cinema.

Birdman é gostoso de se ver, e inteligente de se pensar. Vale muito a pena pra quem quer conferir algo mais intenso e, sem dúvida, digno de suas indicações em 2015. Os outros trabalhos do que por vezes é esquecido pelo público, Alejandro Gonzalez Iñárritu, também valem sua atenção.